Eu gosto da maneira que te excito
E de todas as razões que te dou, cadela
E da maneira que faço, você vai gritar de dor
E sentir que sua vida é apenas um jogo perdido"

Reckoning Day - Megadeth

Em Sistinas, existem freiras criadas para os prazeres de um vampiro. - Sistinas, contos de vampiros eróticos

Estava sentindo tudo quando olhei para ele, todas as sensações: o inconfundível friozinho no estômago, o calor que teimava queimar entre as coxas, a calcinha úmida, ensopada. Inexplicável. Não era só bonito, era galante, um sedutor nato. As mãos eram fortes porém tranqüilas, não tinham aquela afobação adolescente dos homens que costumam me abordar. Os cabelos negros revoltos davam um ar selvagem e lembravam um garanhão que as amazonas dariam um seio em troca de uma bela cavalgada em pêlo. O peito era másculo sobre as roupas, mas sem exageros, do tipo em que eu lamberia todo o suor que escorresse daqueles mamilos pela noite inteira, enquanto ele penetrasse meus sentidos com seu cheiro e minha carne com sua virilidade.

Ele sorriu à distância para mim, como um brinde ao meu mal disfarçado interesse, e eu desejei aqueles dentes brancos marcando minha pele macia, mordiscando os bicos duros dos meus seios, que já estavam aparentes sob o tecido fino que eu vestia naquela noite. Afinal, que homem era aquele? Olhar de anjo, gentil e cavalheiro com as mulheres que dançavam perto dele. Mas que escondia um fogo infernal nos olhos quando me encarava. E como encarava! Perdia o fôlego nesses instantes - a ponto de sentir meus seios subindo e descendo, descompassados como minha respiração - e só pensava em beber algo pra matar minha sede, mesmo sabendo que destilado algum me acalmaria. Eu queria beber aquele homem, isso sim. Ajoelharia diante dele puxando suas coxas grossas, puxando seu sexo nervoso e duro para minha boca escaldante porém molhada, para a maciez dos meus lábios, para a perdição da minha língua no seu saco. Eu engoliria satisfeita as bolas daquele homem e o punhetaria até as veias do cacete incharem diante dos meus olhos, até a cabeça daquele pau ficar tão grande a ponto de machucar minha garganta. Qual seria o tamanho dele? Devia ser grande!

Aquelas mãos dominadoras segurando minha cabeça e eu me engasgando de prazer, soltando saliva grossa naquele membro que insistentemente arrombaria minha boca, enquanto tentaria tocar novamente seu saco com a pontinha da língua atrevida... Esfrego as coxas uma na outra para me acalmar e engulo de uma vez só o conteúdo do copo em minha frente. Tento me controlar mas só penso em ir ao banheiro, torcendo que ele vá logo atrás. Levanto-me decidida e tento não parecer vulgar nem rebolar muito, mas é meio difícil com o tamanho de quadril que tenho, fora as bebidas...

Parada na fila para entrar no banheiro, escuto duas moças conversando sobre a estranha banda que tocava no palco esfumaçado:

-A voz dele é tão comum... mas eu adoro ouví-lo cantar.

-Se você prestar atenção, ele nem tem voz pra ser o vocalista do Erotasia... concorda?

-Estamos falando de carisma, então.

"Eu gosto da maneira que você me deixa entrar
O jeito que você olha quando as paredes desabam
Eu gosto da maneira que seu estômago embrulha
E de como você chora para tudo parar

Eu gosto da maneira que você se engana
E faz de conta que não há mais ninguém
Eu gosto da maneira que você espera na fila
E implora salvação vinda de céus vazios"

-Olha como ele gruda sensualmente a boca no microfone, quase posso sentir seus lábios em mim!

-Diz a lenda que ele transa com a guitarrista antes de entrarem no palco...

-Ah, já ouvi dizer isso também. Inclusive já o viram certa vez colocando o microfone dentro da calcinha dela. Deve ser por isso que canta com tanto tesão!

Sexo, sexo... era só o que meus sentidos captavam no ambiente! Mas não era em vocalista de banda alguma que eu pensava no momento, e sim naquele cara!

Quando enfim entrei no banheiro, as imagens dele me comendo dentro de um dos cubículos dançavam em minha mente. Flashs vívidos das minhas mãos segurando no alto da porta, enquanto ele me levantava arreganhada e praticamente me sentava em seu membro entumescido, latejante. Seu rosto suado caía entre meu decote mordendo meus peitos e suas mãos apoiavam minha bunda, me erguendo e deixando cair naquele cacete gostoso, ritmadamente. Meus gritos e os gemidos dele, a cadência daquele pau me fodendo com força e o baque surdo das minhas costas na porta de madeira. O cheiro de suor e sexo. Tudo em minha mente, mas em meu corpo já queimava a febre do desejo. Ele não veio atrás de mim. Me senti rejeitada, abandonada com tanto tesão. Eu daria minha bunda se ele estivesse aqui agora, coisa que nunca dei à homem algum por questões bobas de princípio, higiene e até mesmo religião. Foda-se! Que me rasgasse, que sussurrasse vitorioso em meu ouvido enquanto comia meu rabo, eu só queria ser a puta dele, sentir prazer por isso!

Tomada por um fogo incontrolável, uma loucura que nunca experimentara antes, desci minha calcinha até os tornozelos e afastei as coxas. Molhei meu dedo com saliva e os escorreguei pela virilha, que já ardia como se estivesse assada! Nunca tinha visto meu grelo tão duro, tão pronunciado. Quanto o toquei, estremeci tanto que agradeci por estar sentada, pois senão fatalmente teria que me segurar pra não cair. Então comecei a segurar meus próprios gemidos, mordendo os lábios quase até sangrar, me masturbando como uma desvairada, friccionando meu grelinho com tanta vontade que até doía. Fiquei nesses movimentos bruscos, selvagens, por alguns minutos. As conversas diminuíram dentro do banheiro, um silêncio tomando conta até que aos poucos fui timidamente soltando meus gritinhos, sussurrando palavras desconexas... De olhos fechados, enquanto aquele homem misterioso me fodia como se fosse a única vez que provaria do meu fruto molhado, da minha maçã tentadoramente proibida. Meu tesão escorria por entre os dedos. Meus poucos pelinhos pubianos, bem aparados como sempre, estavam ensopados. Os lábios da vagina ameaçavam nunca mais se fechar outra vez para guardar meu sexo. Eu passeava a ponta dos dedos entre eles e os abria, para, faminta como estava, me penetrar com quase toda minha mão direita. O barulho obsceno quando me metia com força chegava aos ouvidos e me faziam fantasiar mais e mais. Não satisfeita, continuei a masturbação com a mão direita, e a esquerda deixei para excitar meu buraquinho apertado, que nesse momento já piscava sem parar. Enfiei nele um dedo, me entregando de vez à devassidão que nunca ousara antes. Quis a língua daquele homem ali, para contar comigo se eram mesmo 36 ou 37 os sulcos que cortavam a musculatura desse meu anel tão apertadinho, ainda virgem. Sem perceber enfiei todo o dedo médio e fui girando, amaciando, gostando da sensação.

Queria gozar, meu sexo até doía de tanta vontade. Quis apertar meus peitos, mas amassaria todo meu vestido. Impressionante como sempre nos sobra uma réstia de sobriedade mesmo vivendo a loucura à flor da pele... Meus grandes lábios - "labia majora" como costumava entoar a mulher que me iniciou no sexo - estavam mais inchados que nunca, a vagina vermelhinha na cor de pecado. Como uma égua se esforçando, querendo correr para vencer os últimos metros, me concentrei em esfregar apenas o clitóris, segurando firmemente com a mão esquerda nas bordas do vaso sanitário. Inclinei meu corpo para trás, era tão real a visão dele me fodendo agora que quase podia sentir suas coxas batendo nas minhas, já imaginava seu hálito bufando em meu rosto!

-Vou gozar filho da puta...! Seu filho da puta, tesudo... filho duma grande... putaaaaaaaaah! - gritei quebrando o silêncio, e mordi meu lábio com tanta força que sangrou. Encostada na parede fria de azulejos encardidos, tentei normalizar minha respiração. Não dava. Tinha esticado minhas pernas instintivamente, e meus tornozelos amarrados pela minúscula calcinha ensopada estavam quase fora do cubículo, passando pelo vão por baixo da porta. O salto alto e a meia-calça completavam o visual.

Ouvi batidas na madeira ao longe. Murmúrio de mulheres do lado de fora do banheiro, e enfim percebi que alguém (mas quem?) tinha trancado a porta do recinto. De repente me bateu um medo, quis me recompor e sair dali. Quando tentei recolher meus pés de volta para o cubículo, as mãos que eu já conhecia antes mesmo que me tocassem acariciaram meu tornozelo por cima da meia. Arrepiei toda novamente, e meu clitóris respondeu prontamente, excitado. Seus pés apareceram por debaixo da porta, ele estava agachado. Louca como estava, tentei fazer analogia entre o tamanho do sapato e o do cacete que me foderia naquela noite. Gentilmente, num ritual quase demorado que mexeu com minha libido de vez, ele tirou minha calcinha pelos pés. Não parava de acariciar em círculos o meu tornozelo (eu estava odiando minha meia agora!), e eu sentia os efeitos avassaladores em meu corpo, como se o osso fosse uma poderosa zona erógena.

Como eu disse antes, ele não tinha NADA daquela afobação adolescente. Sabia exatamente o que fazer, e quando. Parecia uma máquina, sem nenhum movimento desperdiçado. Abriu a porta com minha calcinha na mão e perguntou, com uma voz de domador de leoas:

-Você quer me beijar? - e a frase saiu com jeito de armadilha.

Meu olhar selvagem respondeu por mim em segundos, mas quando abri a boca fui surpreendida. Num gesto rápido ele enfiou a calcinha embolada na minha boca, e apertou meu sorriso safado apenas com seu polegar e indicador. Meus lábios cortados formaram uma rosa vermelha que brotava sangue. Nem precisou segurar meus braços enquanto lambia minha vida... eu nem mesmo ofereci resistência. Apenas sentia meu gosto na calcinha e aguardava de olhos fechados. Sua língua era áspera e ela desceu para meu pescoço. Mulher nenhuma resiste à uma carícia nessa parte tão sensível. Fraquejei como uma marionete sem cordas em seus braços, mas ele me virou firmemente, me apertando na parede. Eu sentia o azulejo frio contra meus mamilos mesmo sob o tecido. Ele ergueu meu vestido e com outro gesto rápido soltou a própria calça. Lá de fora chegavam as reclamações das mulheres e isso só excitava mais!

Meu sexo parecia ter sido feito para que esse homem possuísse, pois sua mão espalmada encaixou-se com precisão entre minhas coxas e ele ergueu meu bumbum levemente com esse movimento. Disse em meu ouvido que era um belo lombo de égua, e mordeu minha orelha. Sua mão esquerda continuava cobrindo minha boca, ainda cheia de calcinha, e seus dedos apertavam de leve minhas bochechas. A outra mão ele molhava em mim e imagino que lubrificava o próprio membro com meu suco. Explorou meu sexo abrindo os lábios, enfiando os dedos no meu forno e massageando de leve meu clitóris. Depois subiu e afastou minhas nádegas com a palma da mão. Seu dedão direito estava deliciosamente perto do meu buraquinho, então ele fez pressão até meu rabo aceitar sua invasão. A cada movimento circular que ele fazia com seu dedão mágico eu via estrelas, e nem percebi quando ele enfiou decidido o cacete dentro das minhas carnes ensopadas. Molhou à vontade, sua mão me fazia rebolar em seu pau, e meus líquidos escorreram pelo membro até pingar pelo saco dele. Achou que já era hora e retirou de dentro de mim. Lá fora, o bando de mulheres batiam na porta insistentemente, querendo entrar...

Ele, com uma precisão fora do comum, tirou o dedão provocando uma sensação maravilhosa, e rapidamente enfiou o cacete meio molhado. Meu buraquinho aceitou fácil, e o apertou assim que entrou.

-Mastiga, morde. Rebola.

Ele fodia assim: dando comando simples e excitantes. Não declamava poesias nem frases bobas de amor na minha orelha, mas fodia até minha alma com o jeito selvagem que me abria por trás. Um ardor tomou conta da minha bundinha e essa sensação pareceu se espalhar, descendo por meus caminhos até minha vagina aberta de desejo. Eu sentia vibrações por todo o corpo, nem sabia onde colocar minhas mãos. Fiquei com os punhos meio erguidos, quase sem tocar a parede de azulejos sujos, o rosto avermelhado, escondido entre os dedos do homem, gritando com a boca entupida e fechada, e gritava, urrava, com toda minha força!

Como ele forçava meu rebolado com a mão direita, seu cacete duro como rocha entrava meio de lado, me rasgando. Dominada como estava, em êxtase, não ousava mexer minhas mãos, agora retorcidas como garras. Tinha vontade de usá-las e me abrir ainda mais para recebê-lo, mas também tinha medo de que não gostasse. Senti que ele cresceu ainda mais dentro do meu rabo e não agüentei nessa hora, gozando como uma louca! Ele esporrou logo após, esquecendo de calar minha boca e puxando meus cabelos despenteados. Cuspi a calcinha no momento exato que ele lotava minha bundinha (e agora nada mais virgem restava em mim!) com seu caldo viscoso. Nem sei descrever o que senti, mas sei que gozei pela terceira vez tendo espasmos fortíssimos. Minhas pernas fraquejaram, respingou porra na minha panturrilha enquanto ele saía de meu corpo. Sentei-me no vaso desajeitadamente, me apoiando nas coxas dele, de cabeça baixa. Tive medo de olhar para frente e ele empurrar aquele caralho arroxeado entre meus lábios.

-Deixei pingar no vaso. Limpe.

Incrédula, olhei para uma caprichosa gota de esperma na borda do assento e, com a submissão que era imposta pela combinação fatal daquele semblante dominador com a voz de comando, me ajoelhei e lambi cuidadosamente, limpando o local. Ele deu um tapinha de leve mas com firmeza em meu rosto, e mostrou-me seus dentes alvos num arremedo de sorriso... Saí carregada daquele banheiro por aquele demônio do sexo, que ainda cheirava à perfume cítrico, de um aroma não tão suave. Na verdade era exagerado e parecia esconder algum odor mais forte, indefectível. Eu estava totalmente esgotada e saciada, claro... mas ele parecia querer mais!

-Pra onde vamos agora?

-Para um lugar mais calmo, querida.

-Olha, não posso... não posso amanhecer na rua.

-E por que não?

-Digamos que tenho um horário rígido pra voltar da farra...

-Então venha me ver amanhã. De madrugada também.

-Eu não sei se... - minhas pernas estavam bambas.

-Eu sei que você virá. - ele me interrompeu - Aposto o que quiser. Apostaria minha alma, se ela não valesse tão pouco.

-Almas tem um valor incalculável, cuidado com o que diz.

-Não a minha. Amanhã, mesmo horário. - ele saiu caminhando, me deixando sozinha.

"Como ele tem tanta certeza?" - foi o que me peguei pensando.

Na segunda noite (sim, o maldito estava certo, eu queria muito transar novamente!) ele me levou à um luxuoso motel, um dos maiores de Sistinas. Durante o caminho, conversamos um pouco:

-Eu nasci num cemitério.

-Como assim?? - ele perguntou, intrigado.

-Por que todos ficam chocados quando conto isso? É o lugar mais calmo, mais tranqüilo do mundo... Meu primeiro choro deve ter incomodado os mortos! Não faça essa cara, é verdade!

-Pensei que eram os vampiros que nasciam assim.

-Eu não sou uma vampira.

-E como foi nascer num cemitério?

-Minha mãe deu à luz lá, já que fica atrás do convento. Ela morreu no parto, e eu fui adotada pelas freiras.

-Espere, você é uma...?

-Freira. Algum problema? - perguntei, mas os olhos deles declararam um interesse maior em mim, ainda que frio. Parecia tão pálido frente ao letreiro amarelado, e se estava feliz em me ver, não demonstrava. Meu lado cadelinha aflorou mais excitado do que nunca. Eu beijaria, lamberia os pés daquele homem e chuparia esfomeada seu dedão, caso ele me ordenasse.

Fui jogada na cama assim que entramos na suíte, ele afastou minhas pernas segurando firmemente meus tornozelos no ar, e eu estranhei a falta de um beijo. Idiota, como cobrar um beijo diante do que ele faria comigo em seguida?  Minhas roupas facilitavam e muito, e em segundos percebi que apenas a calcinha separava minha vagina daquela boca misteriosa, de poucas palavras.

Deixei escapar um gemido surpreso quando ele encostou a língua afiada em meu umbigo. Molhou toda minha barriga num lento e elaborado ritual de preparação, e eu estava tão concentrada em sua saliva que nem fazia idéia de onde suas mãos fortes passeavam naquele instante. Aflita, eu queria antecipar a sensação. "Homens não sabem como chupar uma mulher. Mulher é que sabe!", sempre tive isso em mente, e por isso deixava outras enfiarem suas línguas em mim...

Só que o homem ajoelhado entre minhas coxas tinha algo de animalesco no jeito que me lambia. Mordia minhas coxas, passeava entre minha virilha e cheirava meu sexo mesmo por cima do tecido, chegando a correr a língua em meu grelo ainda coberto pela calcinha. Eu podia sentir seus dentes aprontando o bote, roçando meu clitóris. Nunca estive tão molhada, e era apenas a expectativa!

Sua língua era tão inacreditável que entrou devagar pelo elástico lateral da calcinha, e eu senti o contato pela primeira vez. Minhas costas estavam arqueadas na cama, e minhas unhas cravadas no colchão. Não conseguia ao menos respirar com tanto medo do momento acabar, ou dele se levantar dali sem cair de boca. Mesmo de olhos fechados eu percebia que ele estava curtindo me deixar naquele estado. Não sentia a respiração dele, como se também estivesse se segurando. Nada afobado o rapaz, brincava com precisão, sem pressa, e eu me sentia dona da vagina mais desejada de toda a cidade!

Era nesse estado de êxtase que me encontrava quando ele liquidou comigo: puxou com força minha última defesa e o tecido se abriu, me expondo. Sabendo das possibilidades do encontro, estava totalmente depilada. Ele aprovou com o olhar, e tocou de leve a ponta da língua em meu clitóris. Sentiu meu gosto, e aprovou também. Começou a chupar e lamber inesperadamente, com força, como uma fruta suculenta e madura! Senti uma sucção fora do comum em meu grelo endurecido, e gozei como uma louca agarrando o estranho pelos cabelos. Aquela língua me invadia enquanto meu caldo vazava no sentido oposto, abundante. Meus gritos escapavam sem controle pela suíte e soavam estranhos até para mim: gritos de alguém que andava tão assexuada e que pela primeira vez se sentia mulher, plena!

O safado ainda estava no começo de repertório. Lambia entre minha fenda, alternava entre os lábios, esfregava a língua com gosto no grelo, depois me penetrava... somente usando a boca. Em determinado momento eu já não sabia mais qual mágica ele estava fazendo, pois sentia linguadas em meu rabinho também. Só sei que meu suco escorria fartamente, e ele estava todo lambuzado de mim.

-Quero te chupar mais, mais fundo, mais forte. Sugar seu néctar, seu mel... sua essência.

-Simmmm, sim... não pára!

-Sugar sua vida por entre esses lábios íntimos...

-Poesia agora não, caralho... Chupa logo, chupa tudo, o que quiser! Só não pára! - eu me agarrava no colchão como se fosse minha tábua de salvação. Quando ele deitou novamente a língua no meu clitóris, inocentemente deixei escapar a sentença, entrecortada de gemidos:

"Quero ser sua."

Seus olhos faiscavam na penumbra, encarando, sua pupila rubra gritando que meu gosto era delicioso. Sim, aqueles olhos falavam comigo... na penumbra. O quarto foi escurecendo, escurecendo... Aquele tom vermelho - que não era só em seu olhar - invadia todos meus pensamentos, sensações, minha percepção. Senti uma inexplicável vontade de beijar outra mulher que tivesse acabado de engolir o esperma dele, uma com trejeito de puta, que tivesse lábios carnudos e... vermelhos.

Estava em toda parte... preenchendo. Inclusive nos lençóis, molhando. Vermelho... lábios. Então, escuro, como piche. E um sorriso cínico, antes da Treva.


-Foi assim mesmo que tudo aconteceu?

-Sim Madre. Inclusive os palavrões, as sensações, tudo. Como a senhora pediu, não escondi nada.

-"Labia majora..." - a Madre Superiora sorriu - Bom saber que permanece assim tão obediente, Angela. O que tenho para te propor agora não é fácil, minha pombinha.

-Do que está falando?

-Primeiro preciso contar a verdade sobre sua mãe.

Angela permanecia deitada na mesma cama onde acordara. Havia desmaiado durante as carícias daquele homem tão sedutor, e acordou no convento sem saber como chegara até ali. De fato, assim que abriu os olhos, o interrogatório da Madre começou. A freira contou suas desventuras, reparando entre um momento e outro da narrativa, que estava num quarto luxuoso e separado das outras mulheres do convento. Sabia que não era os aposentos da mulher à sua frente, pois já tinha freqüentado a cama dela no passado, então... onde estaria? Estava pensando nisso, mas o interrogatório tomou outro rumo, e quando a Madre disse "sua mãe", Angela abraçou as próprias pernas sentindo um arrepio antecipado, de que existia algo muito, muito errado com sua vida.

-Primeiro, ela não era uma mendiga que veio pedir ajuda aqui em nosso santuário, como muitas fazem. Angela... sua mãe era uma das nossas. - nesse momento de revelação a Madre segurou a mão de sua pupila, querendo passar conforto.

-Uma... freira?

-Sim, e das mais aplicadas. Eu gostava muito dela, tínhamos a mesma idade... um grupo de doze moças, e nossa Madre, que morreu uns seis anos atrás, você bem deve lembrar dela: Celine.

-Lembro, apesar de não ter entendido muito bem aquela morte. Era muito doce, não gostava de ser chamada por Madre, e sim por irmã. Dizia que assim demonstrava que era igual à todas nós... e teve aquele fim horrível, mutilada por uma criatura das trevas e decapitada por nós.

-Você é bem observadora, Angela. Tinha quantos... doze anos na época? Uma menina pura, mas já aberta para as influências do mundo. Mas voltando ao ponto: sua mãe era uma freira, assim como você o é.

-Mas, mas... Madre, freiras são as virgens do Cristo. Não se engravida uma freira! A alma de tal pecador queimará na ira do crucificado!

-Já não somos virgens, irmãzinha. - a Madre sorriu, irônica - Eu mesma tirei sua virgindade, lembra?

-Eu prefiro pensar nisso de outro modo, pensar que é um ato de amor entre duas mulheres que partilham das mesmas crenças, e...

-Se pensar assim alivia seu fardo, que seja, pombinha. Mas a verdade é que nem ao menos partilhamos da mesma crença.

Angela sentiu um baque quando ouviu aquilo. Aos poucos aquele arrepio que antecipava algo errado foi se transformando em suor de medo, de pisar em território desconhecido.

-Não seja ingênua, não finja ser ingênua! Eu já li sobre lagos malditos, com seu fundo coberto de crânios. Crânios de recém-nascidos que eram despejados lá como as crianças bastardas e indesejadas que eram, despejados lá pelas freiras dos conventos vizinhos daquelas águas. Nem a ira do crucificado, como diz você, poderá punir tanto pecado. Mesmo agora, nos dias modernos, chegam aos jornais e tablóides notícias de encanamentos de conventos entupidos com tantos preservativos usados.

-E onde entra minha mãe nisso tudo?

-Ela foi apenas um instrumento. Por livre e espontânea vontade, ela aceitou engravidar. Então na verdade não te adotamos: você foi gerada para ser freira. Desde antes de seu nascimento, esse era seu destino.

-Então quem é meu pai?

-Isso nunca vou te contar. Foi a única condição da sua mãe; que você nunca soubesse a identidade dele. Pode tentar perguntar à ela lá na sepultura, mas de nenhuma boca desse convento você ouvirá a verdade.

Angela sentiu-se péssima. Realmente, existia algo muito errado com sua vida: era uma grande mentira, toda ela. Mas o pior ainda estava por vir...

-Como cheguei até aqui? Eu desmaiei durante o sexo com um homem, e acordo sã e salva aqui no convento. Como? Quem me trouxe de volta? Está escrito "freira" na minha testa, por acaso?

-Eu ia mesmo chegar nessa parte, agora que já contei sobre sua mãe. Foi o homem que te trouxe aqui. O homem tão sedutor quanto misterioso com quem transou. Sabe, ouvir você falando dele... me arrepiou toda. Pelo que me contou, ele não mudou nada nesses anos todos! Continua garanhão, gostoso... e tão alheio como se nenhuma mulher do mundo valesse nada para ele! Mas quando pega uma, leva diretamente ao paraíso! Pleno de luxúria, ele...

-Pare! Se você o conhece, se é tão ligada à ele, se fica tão excitada quando fala dele...

-Nunca mais me interrompa enquanto falo, Angela! - a Madre deu um tapa no rosto da freira - E eu não estou excitada, faz muito tempo desde que...

Angela, ainda esfregando o rosto avermelhado, esperou alguns segundos para certificar-se de que a mulher não falaria mais nada. Medo de interromper aquela que durante dezoito anos tinha sido sua mãe, protetora, companheira, amiga e amante.

-Você está excitada sim, Madre. Seus olhos brilharam quando falou dele, sua pupila permanece dilatada, e seus mamilos estão quase furando o hábito! - de fato, Angela era observadora ao extremo.

-Vamos, me diga. Esse homem é o meu pai?

-Hahahaha, claro que não Angela! Incesto é interessante, excitante em alguns casos... mas assim? Seria grosseiro.

-Nunca me diria, não é? Maldito seja o trato com minha mãe! Ele é meu pai, não negue!

A Madre, de ruborizada com a excitação da lembrança, passou a colérica com a conclusão imbecil da freira. Encurvou-se sobre ela no leito, como um abutre gigante que encontra carne fresca. O olhar era uma chama de selvageria:

-Esse homem nunca poderia ser seu pai, Angela, e sabe por quê? Porque ele poderia te inundar de porra, gozar uma jarra inteira de seu esperma gelado e estéril dentro de você, e nunca teria um filho! E quer saber? É por isso que o filho da puta é bom! Eu adorava cavalgar naquele mastro, adorava a sensação de preenchimento! Certa noite ele encheu TODO MEU ÚTERO com tanto gozo, dizendo que eu tinha acertado na loteria da luxúria. Três meses sem gozar, e escolheu a minha vagina dentre todas de Sistinas para depositar todo seu maldito visco! Eu nunca... NUNCA vou me esquecer daquele momento. Doía até para me mexer depois, de tanto volume. Foi... animalesco! Dias depois eu ainda encontrava vestígios dele em minhas calcinhas! - narrando aquilo, as veias do pescoço da Madre saltaram perigosamente. E tinha o hálito. O hálito denunciava que ela tinha chupado alguma freirinha antes de vir falar com Angela.

-Quem é meu pai?

-Não saberá disso nunca. Não prefere saber quem é o homem?

-Eu já sei. Ele é um vampiro. - Angela tinha sim reparado nele pequenos detalhes perturbadores. Só a luxúria os mascarava, mas agora ela sabia. O véu da mentira, da sedução, caíra.

-Ótimo, fizemos progresso. Espero mesmo nunca ter essa conversa contigo novamente, Angela. Agora vou te dizer o que precisa fazer. Anos atrás você foi oferecida à ele. Por sua mãe, que voluntariamente doôu sua criança para que a criatura não nos matasse e nem destruísse nosso convento. Foi uma causa nobre; até algumas entre nós experimentarmos as delícias que aquilo poderia nos proporcionar. Não vou entrar em detalhes, uma vez que o tempo encobre tudo, mas sua mãe não morreu no parto. Matou-se depois, arrependida e querendo entrar no Céu.

Angela pesou aquelas informações, ainda atordoada. Afinal, o que ela era? Uma moeda de troca, uma cobaia, um depósito de porra?

-Agora, a criatura veio buscar o que é dele. Seu destino é esse, minha querida irmãzinha. Por ordens dele, você recebeu educação e valores de uma freira, mas aos poucos deveríamos te "inocular" com a luxúria, acordar certos aspectos de sua sexualidade, mas nunca totalmente, já que se assim fosse, você seria uma leviana qualquer e não teria o valor que esse vampiro deseja. Ele esperou anos por isso, sabe? Em outras circunstâncias eu diria que é um amor distorcido.

-Amor? É uma aberração, Madre! Eu não sou dona da minha vida, sou um projeto de alguém!

-E não somos todos? Alguém de fato controla sua vida? Destino existe, ou não? Gostamos de ser controlados e dirigidos, desde que não saibamos da existência desse controle, concorda?

-Onde isso tudo termina?

A Madre iria dizer "não termina", mas pesou bem as palavras antes de continuar.

-Ele virá aqui regularmente, para transar com você sempre que tiver vontade. É um fetiche dele, além da necessidade de beber seu sangue. E o acesso dele à esse convento é livre.

-Ele já bebeu, me forçou a beijá-lo quando meus lábios sangraram, lembra?

-Sim, foi o que me contou. Mas ele voltará sempre, é mais insaciável pelo sangue do que pelo sexo. E você estará aqui, confinada, sempre disposta e pronta para ele. Pra renovar seu próprio sangue, essa criatura precisa beber o dos outros. E você foi escolhida antes mesmo de nascer para ser o filtro particular dele.

-Eu não vou me prestar à isso.

-Imaginei mesmo que diria uma coisa dessas. Tenho uma proposta pra te fazer desde que entrei nesse quarto. Quer ouvir?

Angela percebeu aquela faísca de traição no ar. "Sim, diga."

-Quando ele chegar para te sugar, você precisa beber do sangue dele. Morda-o, faça com que o sangre. E então beba da maldição vermelha. Se for necessário, te dou esse punhal. - nesse instante a Madre mostrou um belo artefato de prata em formato de ankh, escondido junto à sua coxa, por baixo do hábito.

-Tem algum encantamento poderoso embutido nessa lâmina... suponho?

-Na verdade, não. Foi apenas o primeiro que encontrei, com corte afiado ainda.

-Mas...

-Irmãzinha, acredite: a maioria das coisas que a ficção nos ensina, na prática não funcionam contra vampiros. Se funcionassem, bem... ele não teria nunca entrado em um convento, concorda?

-E depois que eu sangrá-lo?

-Ele não te matará. Apesar dele ter todo o tempo do mundo para recomeçar com outra serva, não creio que vá desperdiçar as quase duas décadas que esperou para descobrir o quanto você é doce. Então, acredito mesmo que ele não a matará. Mas talvez te machuque.

-Como está tão certa de que não me matará?

-Ok, não deveria te contar esse segredo óbvio, mas como estamos sendo francas uma com a outra, eu conto: ele não te matará pois você já terá bebido dele. Nesse caso você morre mas volta do túmulo como uma vampira. E acho que ele não iria querer uma vampira buscando vingança.

-Ele é um vampiro, deve saber como remediar uma situação dessas.

-Talvez não saiba. De qualquer maneira, vou ser direta: eu quero a maldição vermelha para mim. A imortalidade, e você é meu passaporte. Através de você, conseguirei a dádiva eterna, e então você será solta, poderá fazer o quiser de sua vida. Te dou minha palavra.

-Madre, isso não é natural!

-Eu quero, e se pelo caminho natural não posso conseguir, então que seja pelo não-natural! Não quero ter um espírito imortal, a única vida que tenho e prezo é essa aqui, agora. Então quero ser imortal, me preservar. E quero logo, assim mantenho todo meu frescor e auge da beleza!

Angela pareceu em dúvida. A Madre ficou impaciente, e jogou:

-É me ajudar... ou então ser eterna escrava dele. Reduzida a isto. - a Madre mostrou então uma dessas bolsas de bancos de sangue.

-Por que você mesma não tira o dom das trevas dele à força?

-Não tenho força para isso, nenhum mortal tem. E nem posso usar de sedução contra o mestre da mesma. Posso apenas pedir, implorar... e acha que ele iria me conceder? Não, eu já tive minha utilidade, agora apenas devo cuidar de você sempre para ele. Esses jogos de vampiros duram anos, décadas... É um prazer distorcido, saber que uma vida nasceu apenas para serví-lo.

-Não...

-Ele quer você, que foi criada para esse fim. Esperou ansioso por isso.

-Não, ele não me terá! Não sou tão obediente à esse ponto!

-Então faça como lhe disse. Sangre-o. Passe o dom das trevas para mim, e será livre. Na verdade, seremos iguais! Eu e você, juntas para sempre, jovens! Pense Angela, pense bem. Vou te deixar sozinha agora, para que analise a situação. Tem até o anoitecer para me dar uma resposta, só então lhe darei o punhal, para que não cometa nenhuma tolice.

A Madre ignorou as lágrimas de Angela e saiu, fechando a porta. Em algum outro lugar de Sistinas, o Lewd da banda Erotasia ensaiava pela última vez a música cover do Megadeth que interpretaria mais tarde:

"Eu gosto das coisas que você tenta fingir
E de seu rosto quando te vejo ruir
E você diz que rezará por mim
Você percebe que é minha prisioneira

Eu gosto da maneira que você fica no ataque
Não importa por que, mas eu sempre voltarei
E você tenta me derrubar
Mas é você quem acaba indo pro chão"


A noite chega ao convento. A Madre entra em seus aposentos pensativa mas a porta se fecha atrás dela. Todos os pelos de seu corpo arrepiam nesse instante, quando ele pergunta com a voz calma e compassada de um típico psicopata, a calmaria antes da tempestade:

-O que fez com ela?

-Fiz o que mandou. Sempre faço o que manda. Desde ajoelhar e adorar seu membro, até...

-Quieta Madre, não teste minha paciência. A menina está morta, enforcada com o próprio lençol naquele quarto. É uma suicida. Não avisou a pobre do que acontece com a alma nesse caso? Ela não deveria ter escolha, a não ser me servir por toda sua vida.

Pega de surpresa com a notícia, a Madre apenas se persignou e murmurou "Ego te absolvo, Angela, in nomine Patris, et Filii, et Spirictus Sancti, amen."

-Se o sangue que corre em suas veias não fosse tão impuro, estagnado e insípido, eu te abriria agora mesmo e beberia! - ele ergueu a mão direita ameaçadora, deixando que a mulher visse suas unhas longas, afiadas como navalhas.

-Meu senhor, não diga isso. Ainda lhe sou fiel...

-Ah Madre, sente-se aqui em meu colo. Vou lhe contar uma pequena estória, uma edificante. - apavorada, a Madre aproximou-se encolhida e sentou - Uma freira francesinha de nome Elisabeth Allier aprontava coisas horríveis desde a tenra idade, atos obscenos... E os anos se passaram e ela precisou ser exorcizada de dois poderosíssimos demônios que já estavam nela há mais de vinte anos. Um homem de índole duvidosa conhecido como Faconnet alegou mais tarde que os demônios Bonifarce e Orgeuil entraram na mocinha por meio de um pão ingerido. Um pão, acredita?

A Madre permaneceu quieta. Respirava o mínimo possível, temendo enfurecer de vez o vampiro. Ele levantava devagar o hábito dela, no mesmo compasso da voz. Levantou o tecido negro o suficiente para descobrir o par de coxas brancas da mulher.

-Acha mesmo que eram os demônios que estavam na companhia de Elisabeth, Madre?

Ela suava frio. "Não." Com o indicador ele cravou sua garra preta na carne macia, desenhando cuidadosamente um glifo, que a mulher não reconheceu. Um filete de sangue escorreu do local, mas foi absorvido pela mão do vampiro.

-Ainda pensa em me desapontar?

-Que posso fazer para reparar essa terrível perda? - ela suspirou, tentando manter-se firme, suportando a dor da unha dele rasgando sua coxa.

-Comece arranjando outra freira para gerar uma menina. Como sempre, mate todos os machos que nascerem. Eu estarei observando, de longe, nem pense em falhar dessa vez! Por causa de sua incompetência, devo ir até meus outros filtros espalhados pelo mundo afora. Quando voltar à essa maldita cidade novamente, quero ter uma deliciosa freira criada sob encomenda para satisfazer todos meus caprichos!

-Assim será, meu lorde. Mas quem será o pai dessa vez, já que o último o senhor...?

-Um novo pai? Eu não deveria me preocupar com isso, se não fosse por sua falha em manter a menina viva mas, pensando bem, me lembrei de um homem que escutei cantando ontem...


"Labia Majora" foi escrito em 31.03.06.

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