Aquele lugar era alto, alto demais, até! Algol, uma das torres mais altas da cidade de Sistinas. O observatório que funciona no topo estava aberto à visitação. E logo abaixo estava o Aces High Bar, um clube freqüentado pela elite de jovens ricos e famosos, pois a visão panorâmica que aquele bar encravado no alto da cidade proporcionava era um espetáculo.

A primeira esposa de Adão, em Sistinas. - Sistinas, contos de vampiros eróticos

Naquela tarde, o bar estava levemente cheio. Era impossível não reparar nas duas garotas sentadas na mesinha de canto. Monique era alta, morena, cabelos negros longos e bem cuidados, esvoaçantes. Seios fartos, protegidos por um decote insinuante. Na sua frente, sua amiga Layla, louríssima, fruto de sua descendência germânica, um rosto redondo lapidado com perfeição, mais ainda valorizado por olhos de um azul angelical. O Sol batia forte, aquecendo mesmo ali a sombra onde as duas moças escolheram para sentar. O reflexo do Sol nos cabelos de Layla fazia daquela uma das tardes mais vívidas desse último verão de Monique.

-Você parece que não percebe! "Girl Power", saca? Estamos em pé de igualdade com os homens! Temos direitos iguais. Por que você não proclama sua independência também?

Monique sorriu meio sem graça, ainda absorvendo o delicioso puxão de orelhas que sua amiga lhe dava naquele momento. Por fim resmungou, cabisbaixa:

-Eu gosto dele assim, é simples.

-Monique... Não precisa deixar de amar seu homem, mas não seja assim tão submissa. Você é jovem, linda, bem sucedida, não precisa dele para nada. Não se submeta à ele!

-Ele ainda não quer filhos. Pediu que eu abortasse. Devo mesmo abortar.

-Não acredito! Não ouviu nada do que eu disse? Se ele te largar, choverão homens querendo tê-la como esposa, mesmo sabendo que terá um filho. Será uma linda e sedutora mamãe! Por que abortar?

-Eu devo mesmo abortar... - Monique repetiu, mas parecia fazer isso tentando convencer apenas a si mesma.

Layla jogou os cabelos, impaciente. Não suportava essa atitude de sua melhor amiga. Respirou fundo, e falou:

-Não faça isso. Seja uma mulher independente. Seja mãe. Não aborte por um capricho de um homem que te trata como lixo.

Monique suspirou em reposta, deu de ombros sem forças para responder.

-Nenhum filho da puta de cuecas me obrigaria a um aborto!

-Sabe... - começou a morena, relutante - Em parte a culpa foi minha. Eu deixei de tomar os anticoncepcionais pois estavam me fazendo mal.

-Peraí... E onde ficou a camisinha?

-Ele não usa. Não gosta. Por isso sempre tomei pílulas. Mas elas me fazem mal.

-Que merda está me dizendo? Frank te obriga a se cuidar, mas ele não faz o mesmo? Vocês trepam sem camisinha? O que você tem na cabeça?

-Mas ele é meu parceiro fixo. E outra; você sempre usa camisinha, Layla? Sempre, sempre?

A loura desviou o olhar, era claro que não. Na verdade, às vezes transava com caras que nunca mais veria na vida, e, mesmo assim não se previnia...

Monique se fortaleceu um pouco, tendo razão apenas dessa vez. Mas ainda sentia um enorme desconforto, como naquelas conversas entre adultos e crianças. Encolheu-se na cadeira, e quase lamentou:

-Sou muito boba, né?

-Sim! Puxa, não foi comigo que você aprendeu a ser assim. Não mesmo!

As horas passavam rápidas. Layla já estava sem paciência com sua querida amiga. Não estava disposta a deixá-la sozinha, mas precisava trabalhar.

-Olha, Monique, pense em tudo que eu lhe disse. Pense muito. Vão raspar seu ventre fértil. Ou então você vai tomar alguma porcaria que vai mexer com seu corpo pra sempre. Talvez acabem com sua capacidade de ser mãe. Um homem não vale isso! Preciso voltar agora ao trabalho. Você ficará bem?

-Sim Layla, ficarei bem. Ainda vou beber mais alguma coisa, depois a gente se fala.

A loura beijou a amiga, e levantou-se. Checou o celular, e depois saiu apressada.

Minutos depois, Monique já estava indo embora. Olhou uma última vez para seu copo, e quando pensou em levantar, uma mulher sentou-se à sua frente. Era baixa e estava, apesar do calor, enrolada dos pés à cabeça.

-Fique, querida. Tenho algo a lhe dar. - disse a estranha.

Monique sorriu, e estendeu uma nota à mulher. Depois guardou a carteira, sem olhar diretamente para ela. Não tinha percebido a música "Kashmir" do Led Zeppelin começando a tocar, alta, de fundo.

-Eu te pedi dinheiro?

A morena pela primeira vez olhou direito para a estranha. Parecia "uma nativa de cultura islâmica". - e foi exatamente essa frase descritiva que lhe passou pela cabeça - Não sentiu vontade de levantar, pelo contrário. Acomodou-se na cadeira, e perguntou:

-O que você quer, então? Não é uma mendiga?

"Whoa, let the sun beat down upon my face"

Os véus que cobriam a boca da mulher se mexeram de maneira estranha. Seria um sorriso? Ela faiscou um olhar para Monique, e tirou algo sabe-se lá de onde.

-Pegue isto. - e lhe estendeu um estranho pingente, vermelho como sangue.

-Que trabalho bonito. De que é feito, que pedra teria essa coloração?

"And stars to fill my dream"

-De onde isso veio, pouco importa. Mas agora é seu.

A mulher tinha uma voz estranha, e um sotaque que parecia compreender todos os idiomas do mundo. As únicas partes dela que podiam ser vistas eram um pedaço do pulso (as mãos eram cobertas por luvas) e os olhos. Pretos. A pele do pulso parecia muito velha, mas a voz e desenvoltura pareciam as de uma moça saudável.

"I am a traveler of both time and space"

-Que faço com ele? Por que está me dando?

-Saberá quando olhar de forma diferente para ele. Não peço nada em troca.

Monique colocou o pingente na bolsa, tomando cuidado para não perdê-lo por ser pequeno e frágil, e quando pensou em agradecer, não viu mais a mulher sentada.

"All will be revealed..."

Levantou-se em dúvida. Bebida? Imaginação? Balançou a cabeça, e foi embora.


De noite, estava em sua casa quando o namorado chegou. Estava cansado, frustrado e até meio agressivo, como sempre. Jantou em silêncio com ela, a beijou friamente e foi deitar-se cedo. Monique ficava pensando se a fonte do desgosto dele era a criança em formação que trazia no ventre. Não conseguiram falar sobre o assunto. Ela não sabia nem ao menos como começar a falar. Frank ultimamente estava com o olhar raivoso, sério.

Após lavar a louça e passar as roupas dele para o dia seguinte, ela também foi deitar-se. Cansada, dormiu rápido, e teve um sonho povoado de coisas inexplicáveis, todas elas mergulhadas em uma bruma avermelhada. O pingente estranhamente aparecia e sumia, enquanto seres além da imaginação de Monique pareciam copular como demônios. Acordou de repente, deitada de lado, com Frank lhe puxando os ombros, roçando algo duro em suas nádegas por baixo dos lençóis.

-O que você quer, amor? Estou cansada... - disse, meio que sonolenta.

-Hoje quero atrás. - ela o ouviu dizer, a voz embargada de desejo.

Antes que reagisse, foi obrigada a levantar a perna, pois Frank forçava a penetração. Sem lubrificação alguma, Monique foi invadida por trás. A dor incômoda a deixaria acordada pelo resto da noite...


Monique não conseguia trabalhar direito. Em sua sala, ficou o tempo todo observando o estranho pingente avermelhado, que apareceu em seus sonhos durante a noite. Lembrava também das palavras de sua amiga, sobre sua relação com Frank e sobre a idéia do aborto.

As noites seguintes passaram a ser meras repetições das anteriores. Frank sempre ficava mais aborrecido, e cada madrugada abusava de uma maneira diferente e degradante de seu corpo. Até que uma noite tudo aconteceu...

Monique estava ajoelhada, entre as pernas de Frank, numa das suas intermináveis sessões de sexo oral. Lambia e beijava devagar, sem pressa alguma. Sabia que quando demonstrava pressa, ele a obrigava a se demorar mais. Quando simplesmente obedecia e chupava, Frank perdia um pouco do tesão e ela nem precisava caprichar muito.

Sentado em sua poltrona favorita, um presente dela, Frank observava aquela linda morena engolindo suavemente seu membro, com olhar escravizado, e se sentia o melhor dos homens. Tinha uma mulher perfeita, que fazia questão de exibir como um troféu à todos seus amigos, e também costumava contar tudo que se passava na cama com ela. Era sua, uma cadelinha eternamente no cio, e era invejado por todos seus amigos. Era a parte boa da vida!

Quando Monique levantou-se, usando os seios para massagear as coxas e as bolas dele, Frank notou que havia algo diferente:

-Que merda é essa aí no seu pescoço?

Monique, sem entender, olhou para baixo. Surpresa, viu que estava pendurado em seu colar o tal pingente. Não se lembrou de tê-lo colocado ali, e fez cara de confusa. Correu os dedos pelo símbolo estranhamente quente, e o tirou. Mal sabia que já era tarde demais. Frank a pegou pelos cabelos, forçando-a a continuar a chupada. Monique lambeu uma vez, usou toda sua saliva, tentando engolir o membro, quando algo dentro dela gritou...

O homem caiu da poltrona quando aquilo pulou em cima dele. Rolando pelo chão, Frank começou a ouvir chiados, uivos e vozes estranhas. Monique estava por cima agora, e o segurava de tal maneira que ele nem conseguia se mexer. Deu um tapa fortíssimo na cara dela, quando recebeu um de volta que o deixou com o rosto vermelho.

A mulher não parecia mais ser Monique. E de fato não era. Tinha olhos avermelhados e uma voz estranha, nervosa, que falava usando várias línguas diferentes, sempre urrando coisas contra Frank, pedindo para ser fodida, que queria o esperma dele para gerar seus filhos, que ele era apenas um boneco de sexo, que só servia se estivesse de pau duro, e outras coisas que a mente dele não conseguiu entender.

O homem sentiu-se devorado pela estranha Monique, que cavalgava insanamente em cima do cacete dele. Transava com a energia de mil demônios, e logo esgotou todo o esperma e o apetite sexual de Frank. Quando viu que seu parceiro não podia mais, desceu e começou novamente a chupá-lo. O homem deu sinais de que conseguiria de novo, mas quando seu membro sumiu entre as coxas dela, o calor que emanava pareceu queimá-lo mais do que conseguia suportar. Virou-se para o lado, chorando envergonhado, quando ela saiu de cima do pênis flácido:

-Seu impotente filho da puta, machinho de merda... - ela sorria, nervosa.

Então a fúria vermelha se acalmou, e a mulher que antes fora Monique levantou-se, deixando o homem febril caído, chorando como uma criança. Na penumbra da sala, Frank começou a ouvir chiados estranhos, e procurou pela mulher. Tateando no escuro, apoiou-se na poltrona, e conseguiu parar de chorar. Abaixou a cabeça e fechou os olhos. Os chiados aumentaram. Quando percebeu horrorizado que estava cercado, abriu os olhos e viu uma silhueta parada na porta, ao longe. Ela apontava um dedo para ele, quando sussurrou:

-Devorem-no.

Então os chiados o atacaram.


Layla resolveu passar pela casa da amiga. Achou estranho ela dizer no celular que estava "bem, feliz como nunca estivera antes". Será que enfim tinha dado um pé na bunda daquele cretino do Frank?

A casa estava num ambiente escuro, estranho. A única luz amarelada vinha de um abajur, e iluminava muito pouco o lugar. Layla enxergava as coxas grossas de Monique, cruzadas em sua direção. O rosto não aparecia muito, devido ao ângulo da luz. A loura estranhou o clima.

-Você está bem, Monique?

-Sim, Layla. Melhor do que jamais estive.

-Já sei! Você parou de submeter-se ao Frank?

-Ah, o Frank... Pobre coitado. Sim, me vinguei dele.

Aquilo soôu estranho para Layla. Sua amiga sempre fora um doce de pessoa, passiva. Que mudança radical era aquela?

-Quer ouvir uma pequena história, minha amiga?

Layla, muito desconfiada, apenas acenou com a cabeça.

-Sexo... Desde o início dos tempos o divisor entre o homem e sua divindade. O que significa para você Deus ter criado o homem "à sua imagem e semelhança"?

-Que o primeiro homem era perfeito?

-Perfeição... - um brilho avermelhado no olhar dela - Não, o primeiro homem era uma criatura patética, andrógina, assexuada. Que em sua imperfeição sentiu falta de algo e pediu à divindade uma companheira.

-Peraí! Desde quando você discute religião? Você não é, como se diz... agnóstica?

-Acredite-me, não sou agnóstica. E não me interrompa.

A loura calou-se, em parte assustada, em parte interessada.

-O pobre Adão sentiu-se solitário por uma razão muito simples; todos os animais do jardim do Éden tinham sido nomeados por ele, e cada um deles tinha sua contraparte feminina, sua metade. Talvez tenha pensado em deitar-se com alguma fêmea de outro animal, acho que a zoofilia é deturpação antiga (e nesse instante ela sorriu, debochada) mas o fato é que o pai da raça humana não tinha uma parceira.

-E então? - perguntou Layla, não levando a conversa tão à sério ainda.

-A divindade atendeu os desejos de Adão dando-lhe a primeira mulher. Textos maldosos dizem que ela veio cheia de saliva e sangue...

Diante da expressão de nojo de Layla, ela ergueu um dedo e o molhou nos lábios:

-...O que é uma meia-verdade, claro!

"O que tinha acontecido com Monique?" - passou pela cabeça da loura, de repente.

-Por ter sido criada com a  mesma matéria que o homem, nada mais justo que ela tivesse direitos iguais, mas não foi bem assim que aconteceu. No sexo ela devia ser submissa. Era óbvio que ela se rebelaria, contra Deus e contra o filho d´Ele.

"O sexo, divisor entre o homem e sua divindade."

Layla pesou aquelas palavras, era tudo realmente muito simples e plausível. Como não sabia dessas coisas antes? A voz de Monique soava de maneira quase sobrenatural, em um tom de cólera e calmaria ao mesmo tempo. E aquele sotaque estranho?

-Adão queria sexo ao seu modo. Irritada, essa mulher renegou ao Deus e foi expulsa do paraíso. Adão, abandonado e já viciado em sexo, pediu à seu Pai uma segunda companheira, que veio na forma de Eva, criada a partir de sua costela. Era submissa, como o homem sempre quis. Essa parte todo cristão sabe.

-Quem era essa mulher? A que veio antes de Eva?

-Lilith, Lilitu, ou Lilah, de onde deriva o nome Dalila, aquela que cortou os cabelos do Sansão. Uma das duas mulheres que foram ao Rei Salomão para que ele decidisse qual delas era a mãe de uma criança que ambas reivindicavam. Lembra-se dessa passagem da bíblia?

Layla não lembrava, mas estava assombrada. De onde Monique tirava tudo aquilo agora?

"Ou talvez Salomé, a rainha de Sabá..."

-Expulsa do paraíso, essa mulher foi caçada por três anjos, cujos nomes eu não citarei aqui. Esses a lançaram uma maldição, e ela foi condenada a vagar na Terra para sempre. Foi assim criada a inimiga dos homens, a prostituta vampiresca de pés de coruja.

A loura deu um sorriso assustado, e segurou-se na cadeira. O tom dela agora era de ódio.

"Fornicadora de demônios..."

-Após o pecado original de Adão e Eva, quando também foram expulsos do paraíso, Lilith atacou os dois, forçando Adão a transar com ela enquanto demônios estupravam a mãe da humanidade. Cada uma das crias dessas trepadas transformaram-se em mais demônios. Os Lilins. Centenas. Lilith também jogou irmão contra irmão, forçando Caim matar Abel. Ela é vingativa, percebe?

-Monique... Onde está Frank? Você está me assustando.

-Ah, minha cara, logo você estará com ele.

Apesar do tom suave como aquilo foi dito, passaram as idéias mais terríveis pela cabeça da loura quando ela viu o brilho vermelho de um pingente na escuridão, no pescoço de sua amiga.

-Posso acender a luz, Monique?

-Sim, é claro. Eu tinha apagado tudo pois ultimamente meus olhos andam muito sensíveis.

Layla quando acendeu a luz, quase morreu de susto. Caído perto do sofá, onde ela esteve sentada o tempo todo ouvindo aquela história macabra, jazia o cadáver canibalizado de Frank. Uma expressão de dor profunda nos olhos mortos, ainda abertos.

Por um instante que durou uma eternidade, a mente dela tentou imaginar o que tinha acontecido. Mirou instintivamente os pés da sua amiga Monique, talvez pensando em ver pés de coruja, mas nunca saberia dizer o porque olhou.

Já Monique a encarava divertidamente, um sorriso que parecia vir de outros tempos, de terras distantes. O pingente agora na luz estava opaco, mas ainda era vermelho. Monique usava um simples roupão, que deixava transparecer runas e entalhes na carne dela. Vários símbolos cabalísticos, pagãos, e até mesmo tatuagens mundanas.

A loura estava muda, sem saber o que dizer, como agir, em pânico total. Monique então disse, calmamente:

-Meus filhos gostarão de você, Layla. Será eternamente escrava dos caprichos sexuais deles. São animalescos, insaciáveis e bestiais. Mas você agüentará firme. Por todo o sempre. Ou até "o dia em que o Altíssimo com sua espada terrível decapitar a cobra tortuosa denominada Lilith".

Layla viu sua ex-amiga mexer os lábios de forma silenciosa, e então, surgidos de lugar algum, incontáveis demônios invadiram a sala. Horrendos, fora do alcance da descrição humana.

-Peguem-na. Ela servirá à vocês.

Quando Layla enfim conseguiu soltar o grito de seu mais profundo terror, já era tarde. Não sabia mais onde estava, afundada em brumas vermelhas, sendo tocada e violada por diversos membros, mãos, línguas, chifres e objetos que ela nunca saberia descrever...


A polícia arrombou a porta da casa uma semana depois. Os vizinhos reclamaram do mau cheiro. Encontraram o cadáver canibalizado de um homem, "faltando diversos órgãos vitais e generosas porções de carne e pele".

Também encontraram um cadáver mumificado de uma mulher no banheiro da casa, descrita apenas como sendo "nativa de algum lugar do Oriente Médio", essa era a citada descrição, devido às roupas que vestia e seus traços étnicos. Um exame posterior revelaria que o corpo tinha mais de um século e meio de idade.

O corpo de Layla nunca foi encontrado, e ela foi declarada apenas como desaparecida. A polícia também nunca encontrou a proprietária da casa, Monique, descrita pelos vizinhos como sendo uma "santa", um exemplo de mulher íntegra e dedicada ao lar.

A última pista concreta do paradeiro dela foi o Hospital Central de Sistinas, onde uma mulher que combinava com suas características deu entrada algum tempo depois, na Maternidade. Na ficha hospitalar constou apenas que o parto foi difícil, "devido ao monstruoso e desproporcional aspecto da criança, que já nasceu morta pelas deformidades". Apesar de tudo, nunca se soube quem fez o parto, onde foi parar o cadáver do bebê, nem o destino que levou a mãe, se é que era mesmo Monique.

Tudo se perdeu na máquina burocrática do Hospital, e a polícia arquivou o caso como insolúvel.


A primeira feminista, Lilith (ou Lilitu), foi a primeira esposa de Adão, anterior à Eva, expulsa do paraíso por querer uma relação de igualdade em tempos patriarcais. Pode ter sido irmã siamesa do primeiro homem (unidos pelas costas); ou lado feminino de um Adão andrógino; ou simplesmente criada da imundície, no sexto dia da criação.

"Lilith" foi publicado originalmente em 13.09.01, e revisado em 04.04.04.

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