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★ Twittar essa página ★ Curtir no Facebook"Todos acreditavam ver nesta árvore a forma humana - quer de homem, quer de mulher - e a primeira era branca e a segunda era negra. Segundo outra lenda, a árvore do paraíso que tentou Adão e Eva era uma Mandrágora. Em alguns países europeus, a planta é considerada uma feiticeira, ou uma fada."
Jerad estava suando frio. Estava quase no fim. Jogou a seringa de lado, segurando o braço após a aplicação. Não era mais o suficiente. Nem a flor azul-esbranquiçada que mastigava, distraidamente...
Pegou o pequeno papel riscado da mesa, e leu em voz alta o número. Um celular, dentre tantos outros. Ligou. Uma voz feminina carregada de sensualidade atendeu:
-Alô, você está procurando os serviços de Vênus...?
-Sim. - respondeu Jerad, ainda suando muito.
-Serviço completo?
-Quero saber tudo. Sua aparência completa. Como você é na cama? O que faz com gosto e o que não faz? - disparou Jerad, sem nem dar tempo à mulher do outro lado responder.
-Não sou um cliente comum. Quero saber tudo sobre seu sexo. Inclusive como "ela" é.
A moça pigarreou no telefone, meio surpresa com o papo. Mas colaborou:
-Tenho cabelos e olhos pretos. Sou mignom, um metro e sessenta de altura, bem torneada, sou branquinha, do tipo que se você aperta fica vermelhinha, seios sem silicone, duros, com bicos muito grandes e rosados. Coxas grossas, torneadas, pés lindos e adorados, barriga definida, bumbum macio e ligeiramente grande e minha menininha é depilada, fofinha, apertadinha e quente.
-E como se comporta na cama? Não quero que diga que faz tudo que o cliente pedir. Diga o que você especificamente gosta de fazer.
A mulher pensou um minuto na estranheza da conversa. Seria mais um trote?
-Bem, eu realmente sou muito natural e liberal. Sem tabu algum, sou uma amante do sexo. E tenho minha sexualidade bem aflorada.
-Você engole?
-Sim, tudo o que você colocar em minha boca carnuda, querido. Tenho lábios bem grossos.
-E quanto ao sexo anal?
-Gosto muito, sou praticante. Algumas colegas minhas não praticam com dotados, mas eu não ligo para essas coisas. Gosto quando me preenchem toda.
-Não sente dor?
-Essa dor gosto de sentir. Depois vira prazer. Olha cara, vou lhe dizer logo meu preço para agilizarmos, que acha? - desabafou impaciente Vênus.
-Claro. Eu pago por você. Você molha fácil?
-Trezentas pratas. Por duas horas, em local à sua escolha. Que aliás, também corre por sua conta, ok? E só de falar com você já tô molhadinha.
Jerad não estava mais ouvindo. Sorria pelo canto da boca, cinicamente.
-Quando te encontro? - ele perguntou, pegando uma caneta.
-Você paga, você manda. Em sua casa, ou motel?
-Minha casa.
-Então aumente o valor pra quatrocentas pratas.
-Porquê?
-À domicílio é mais caro. Mas pra compensar, fico mais meia hora com você. Ok?
-Você usa muita saliva quando chupa e mama?
-Sim, vou adorar deixar seu cacete bem molhado... Desliza mais fácil assim!
-Você é perfeita... - se limitou dizer Jerad antes de marcar o horário e desligar o fone.
Entardecia em Sistinas, quando Jerad atendeu a porta. Uma mulher muito sensual, com olhar penetrante apareceu, vestida literalmente para matar. Ela era até melhor que a descrição dada por telefone!
-Vênus. Você me contratou. Estou atrasada?
-Não, está na hora propícia. Vamos entrar.
Levou a garota de programa para o quarto - que para a ocasião estava escuro - iluminado apenas por velas, além de um incensário queimando aromas de ervas. A garota até se assustou com a produção.
-Vai ser uma trepada incrível.
Jerad sorriu, e fechou a porta atrás dela. Olhou a moça, que se atirou na cama, sorrindo. Ela era mesmo apaixonada pelo que fazia... no caso, sexo.
-Eu esqueci de perguntar, mas você curte... acessórios, Vênus?
-Bem, sim. Mas confesso que fico emputecida quando um homem enfia um vibrador em mim em vez de meter logo o cacete. Me sinto meio indigna, sabe?
-Sei, sei... não tenho pau de borracha por aqui. São apetrechos exóticos, os meus...
-Tá legal. - ela desconversou rapidamente, suada. Tirou a pouca roupa que vestia, pois o quarto estava meio que sufocante.
-Já trepou numa estufa? - perguntou Jerad, tirando a própria camisa.
-Não. Nem em avião. Mas no resto, já fiz de tudo.
-Depois treparemos na minha estufa, você vai adorar.
-Mais uma no meu currículo... legal! Agora, vem cá, tira essa coisa para fora, que eu já tô com água na boca.
Jerad ficou em pé, com a gata ajoelhada na cama. Ela abriu a calça e tirou seu membro para fora com uma maestria própria da profissão. Levou à boca, e o passou levemente nos lábios.
-Olha, pagamento adiantado. Senão, te deixo nesse estado e vou embora. O que seria um desperdício, já que ele está bem no ponto... - sorriu.
Jerad atirou quatro notas grandes na cama, e a puxou pelos cabelos. Entrou tudo. Sentiu como era quente, úmida e macia aquela boquinha.
-Hmpffff, devagar, garanhão.
O homem sentia os lábios dela roçando, realmente grossos, carnudos.
-Quero que cuspa nele. Molha.
Vênus soltou uma grande quantidade de saliva, lubrificou e engoliu tudo novamente. Era um membro de tamanho normal. Ela o levou até a garganta, sentindo a pulsação do homem dentro da sua boca, totalmente preenchida. Deu uma mexida com a língua, que provocou um leve tremor nele.
-Ohhhhhhhhh... Assim eu gozo...
Vênus tirou da boca, olhou para ele e caprichou na expressão do rosto.
-Porque não goza pra me ver engolir, meu macho? - atiçou. Um truque simples que usava com os clientes, pois quanto mais ele gozasse agora, menos fogo e disposição teria na hora da trepada. Assim ela não se desgastava tanto.
Jerad segurou novamente a cabeça dela, apertando-a contra seu membro. Enfiou com força até exagerada e começou um vai-e-vem... e mais forte, mais rápido, até...
-Ohhmmmmmm, quer gozar?
-Quando eu soltar tudo, não engula. Quero que cuspa aqui...
A mulher não olhou para cima. Estava concentrada no membro duro que enchia sua boca. Depois cuspiria com prazer, onde ele quisesse, afinal detestava o gosto daquilo. Ele metia com mais força, com vontade, ritmadamente. Demorou um pouco mais, e segurando forte os cabelos dela, enfiou todo, e gozou como nunca antes.
Vênus, pêga de surpresa, engasga e quase engole a porra toda. Sente a boca inundada de esperma, misturada na sua saliva farta. Então Jerad lhe oferece a taça, cristalina, parecia até própria para a ocasião. Cuspiu dentro dela.
-Muito bem, você é demais... Escolhi bem. - disse Jerad, enquanto a mulher massageava o saco dele, querendo excitá-lo mais rápido.
-Deita, sua puta. Quero sentir agora você também se derreter na minha boca.
A mulher deitou-se, tirando a calcinha. O último obstáculo, que quando caiu revelou uma depilação cuidadosa que a deixava exposta. Jerad percebeu que já escorria um líquido, em quantidade considerável, e ele nem tinha encostado a boca nela ainda.
Jogou as pernas de Vênus para cima e para os lados, abrindo e deixando à mostra seu objeto de desejo. Começou a lamber levemente os lábios, que se avermelharam na hora. Passava a língua em tudo, segurando firmemente as coxas dela afastadas. Era uma visão e tanto.
-Ohhhhhhh, chupa! Capricha, que tenho muito mel para você, vai...
Jerad mordia, lambia, e chupava. Enfiava a língua dentro dela, e sorvia do líquido que era mesmo muito farto. Enfiava dedos e brincava, enquanto lambia o clitóris duro. Puxava os lábios vaginais com os dentes. Depois revezava lambidas na virilha e mordidas nas coxas.
Quando começou a massagear o outro buraquinho dela, Vênus se contorceu e uma grande quantidade de líquido molhou a boca de seu amante. Ela segurava Jerad pelos cabelos, sem ver que vez ou outra ele passava a borda da taça nela, colhendo um pouco do líquido que escorria.
Gemendo e se contorcendo, Vênus apertou as coxas, prendendo a cabeça dele no meio das pernas....
-Pare. Pare! Ohhhh, não, chega... Não assim... Me fode logo, põe, mete, me rasga!
Jerad segurava a excitação, enquanto ainda colhia as secreções da mulher. Estavam queimando, tesão explodindo. Vênus pensaria que estava transando com seu namorado, não fossem as notas caídas ao lado dela nos lençóis. Se entregava toda, era mesmo uma experiência única.
Molhados de suor, Jerad atacava os seios, mordendo, parecia querer que coubessem inteiros na sua boca, e então mordia os bicos duros. Apertava massageando um peito, enquanto trabalhava no outro. Não demorou muito, e Vênus sentiu-se novamente encharcada entre as coxas. Segurava o membro dele, masturbando-o, pois queria ser penetrada logo. Não dava mais para agüentar! Esquecia que era um serviço, só queria dar logo para aquele homem.
Jerad a colocou de quatro, e antes que a puta percebesse, já estava sendo penetrada com toda a força, seus cabelos sendo puxados freneticamente, levando tapas na bunda, e suando muito.
O calor da trepada aquecia ainda mais o quarto, já abafado por velas, e Vênus literalmente derretia. Jerad continuava fodendo com força, os seios dela estremeciam, o cheiro de sexo enfim tomou conta do ambiente, misturado às ervas. O barulho das bombadas fortes do membro duro nas carnes úmidas dava o ritmo.
-Ohhhhhhh, mete tudo filho da puta... Fode, vai... Me come! Me deixa maluca!
-Como você é gostosaaaaa...!
Vênus pingava. Lençóis molhados. Jerad se excitava vendo a putinha de quatro, com a bunda toda suadinha, misturando com os líquidos dos dois enquanto metia. Diminuiu o ritmo, antes que gozasse.
-Não pára porra!!! Mete mais, mete tudo! - ela gritou.
Jerad passou a mão entre as nádegas dela, colhendo muito suor... Esfregou a borda da taça na palma da mão, e mais uma secreção se misturou.
-Vai gostoso! Continua... Enfia, enche sua putinha de porra!
Jerad agüentou um pouco mais, até segurá-la pela cintura, metendo o mais rápido que podia. Quando Vênus gritou e amoleceu nas mãos dele, gozaram juntos.
-Nossa... Você é gostoso demais. Deveria trabalhar comigo. Tem muita mulher por aí que paga bem para ter um amante fogoso como você!
Jerad ignorou o comentário, levantando da cama. "Vamos à estufa?"
A mulher sorriu, ainda estava com as pernas bambas, mas aceitou o convite, que seria fatal. Segurou a mão dele, que a conduziu...
A estufa era agradável. Várias plantas exóticas e raras. Vênus estava encantada.
-Nossa, que lindas! Você é algum estudioso?
-Digamos que eu quero criar a flor perfeita. Pra mim, claro.
A mulher sorriu. Enquanto olhava atentamente para cada planta, viu que no fundo da estufa estava uma árvore, vistosa, e que ao longe dava impressão de ter formas humanas. Quando ia perguntar que árvore era aquela, Jerad lhe ofereceu uma flor. Azulada. Estranha.
-Mastigue. É boa.
Vênus sentiu um leve gosto amargo na boca quando mastigou. A árvore ao fundo pareceu mais humana ainda!
-Olhe para mim?
Vênus olhou para trás, e então Jerad bateu uma foto. Polaroid. A moça aparece com a florzinha ainda nos lábios. Olhos injetados e surpresos.
-Eu não gosto de fotos... Rasgue. Não quero... - disse, meio afetada pela flor.
-Ah, não se preocupe. Nunca mostro minhas fotos para ninguém. Além de que paguei seu preço... Relaxe! Sinta a flor entrando em seu organismo.
Vênus sentia mesmo diferenças. Pensamentos mórbidos, alucinados, luxúria, um tesão incontrolável dominando seus sentidos. Nem protestou quando foi beijada na boca, uma coisa que ela não permitia. Ele a puxou pela mão, levando-a para o fundo da estufa.
-Apóie-se no tronco. - ela escutou.
Sem saber direito o que fazia, Vênus segurou o tronco da árvore que estava na sua frente. Empinou o quadril levemente, um convite ao prazer. Sorriu maliciosamente e afastou as nádegas, chamando por Jerad. Ele estava colocando a foto num painel na parede.
-Por que perguntou se transo sexo anal? Não quer me pegar por trás, gostoso?
O homem aproximou-se, tinha também uma folha nos lábios. Na mão carregava a taça, cheia de secreções. Deixou com cuidado a taça de lado, e se encostou no bumbum macio de Vênus. Pegou com força, abrindo.
-Ai, não vai lubrificar antes?
Jerad nem respondeu, já enterrando o membro nela. Vênus gemeu.
-Ahhh, eu adoro os selvagens... Come, gostosinho... Mete com gosto!
A folhagem se mexia. A mulher mexia com muita vontade o quadril, rebolando enquanto sentia Jerad quase todo dentro dela.
-Coloca vinho nessa taça que bebo tudinho... Vai, me fode. Bebo enquanto você me enraba! Hummm... Ohhhhhh... Ardido, mas eu gosto... Mete com mais força...
Jerad forçou mais.
-Ohhhh... já entrou tudo? Quero mais, quero todo! Mexe, metendo... Uuuuhhh, que delícia...
Vênus estava adorando. O gosto da flor na sua boca parecia estimular mais. Alguma planta afrodisíaca? Estava vendo coisas. Jerad comia sua bundinha sem lubrificação, e ela nem sentia. Estava em êxtase. Delirava de prazer. Já tinha gozado quando entrou tudo, agora estava para gozar de novo. Olhou direito para o tronco onde se apoiava...
Quase via uma forma feminina. O tronco não era grosseiro. Parecia liso. Quase macio. Delicado. E parecia muito com uma mulher de pé com as pernas juntas.
Ouvindo os gemidos e xingamentos de Jerad, Vênus perdeu a concentração. A árvore voltou a ser árvore. Sentindo as bombadas do homem atrás dela, e o prazer que a invadia, fechou os olhos. Apenas ouvia agora.
-Ohhh, você é só mais uma.... Mais uma puta que provo e aprovo. Vai ser parte dela... te paguei, mais do que para sexo, sabia? Ohhhh, rebola mais...
Sentidos aflorados, Vênus mexia cadenciadamente o bumbum, quando começou a ouvir uma voz diferente. Suave, murmurante, falando baixinho..."Sangre".
A moça estava gozando pela terceira vez naquela posição, e começou novamente a ver uma silhueta feminina na sua frente.
"Deus, estou maluca, ou ela tem... olhos?"
Tinha. Negros, com um brilho de inteligência. Mas Vênus não tinha mais controle sobre o próprio corpo. Na verdade, apesar de estar sendo enrabada nos últimos minutos, ela não sentia nada. Quase nada, além de prazer. Aliás, desde que mastigou a flor...
-Você me drogou... - murmurou debilmente.
-Sim, sim... Ohhhhh, você será parte dela!
Gritando muito, Jerad gozou. Segurava Vênus com tanta força pela cintura, que algumas marcas vermelhas profundas apareceram. Gozou tudo dentro dela, que sentia apenas agora que sua bundinha estava completamente preenchida, até o saco dele, e molhada com esperma bem quente.
-Quero ir embora...
Olhou para a árvore onde se apoiava, quase pôde ver o rosto da criatura meio tronco, meio mulher, curvado sobre ela. Caiu no chão. Seus olhos giravam, buscando na estufa alguma coisa. Sentiu perigo, queria se proteger, mas como? Viu então a coleção de fotos penduradas no mural. Várias mulheres, de todos os tipos, louras, morenas, jovens, maduras, negras, orientais...
A única coisa em comum entre todas elas era a flor azul-esbranquiçada na boca, e o olhar enlouquecido pelo tesão!
-Agora, minha cara, preciso te sangrar. - Jerad pegou a taça, até então esquecida no chão, com a mistura de suor, saliva e suco vaginal de Vênus. Faltava apenas o último ingrediente: sangue.
A moça viu quando Jerad abraçou o tronco, e estranhamente a criatura se aninhou aos braços dele. Agora enxergava pouco, mas claramente, a ilusão. A árvore tinha seios, barriga, e suas raízes fixas no chão lembravam pernas... Um rosto sereno, mas cruel ao mesmo tempo, e os olhos? Era um ser vivo, até algo parecido com cabelos ela tinha!
Era uma mandrágora, sendo cultivada por Jerad!
-Ela é perfeita. Vê as fotos? Cada uma delas deu algo à minha flor. De você Vênus, retiro a sensualidade, o tesão e o apetite sexual. Transamos em cima do tronco, e ela adorou a experiência, sabia? Você estava aqui, a carne, mas eu estava trepando era com minha mandrágora!
A moça lutava para ficar com os olhos abertos, mas não conseguia. A droga era muito forte, alucinógena, ainda mais agora. Estava totalmente entregue, inofensiva. Só podia ouvir o homem. Mas, quando se concentrava, ouvia o sussurro dela também. Uma voz assustadora, que pedia por sangue!
-Agora querida, vou sangrar você. Obviamente, não posso te deixar viva. Ah, sinto muito. É a lei. Minha lei. Não entenderia se fosse de outra forma. "Sangue é vida".
Dizendo isso, fez um corte profundo no seio de Vênus. A garota, totalmente drogada, nem reagia enquanto sua vida escorria para a taça. Quando encheu, ele sorriu maliciosamente e se dirigiu à árvore.
Como quem rega uma planta, soltou o conteúdo da taça por todo o tronco da criatura, que assumia cada vez mais a forma humana. Se era ainda essencialmente uma árvore no começo, agora era uma mulher completa. Mexia-se, inquieta, quando ganhou o sopro da vida, que veio com o último gole do sangue de Vênus.
A folhagem caiu. Os seios enrijeceram, ela mexeu os olhos, uma grotesca imitação feminina. Abriu a boca, mas ainda não conseguia falar. Um sorriso apareceu nos lábios verdes, então Jerad a abraçou forte. O corpo tornou-se enfim macio, suave ao toque.
Vênus estava à beira de um desmaio. O último de sua vida, aliás, mas queria ver tudo...
Um tesão incontrolável atingiu os dois, e Vênus assistiu Jerad agarrar a criatura recém-nascida. Esta, por sua vez, deu em seu mestre um longo beijo, e logo depois deitaram-se no chão mesmo, onde começaram a transar.
A moça segurava o seio na tentativa de estancar o sangue, que teimava em escorrer. Lutava para se manter acordada. Assistiu chocada quando Jerad penetrou fundo a mandrágora, que em todos os sentidos agora era uma mulher...
Os dois gritavam muito, gemendo e trocando carícias. A lubrificação da criatura era algo esverdeado, como seiva talvez. E tinha o cheiro. Nauseante, ervas misturadas. Mas tinha também sexo, sangue, suor, saliva, tudo junto naquela mistura macabra.
Criador e criatura se beijavam com tanta volúpia, com tanto gosto, que pareciam amantes de vidas passadas. Ela retribuía tudo, talvez um gesto de lealdade ao seu mestre. Já Vênus deitou de vez no chão, de onde nunca mais levantaria viva. As últimas imagens que seu olhar registrou ela levou para o túmulo...
A criatura chegou à um orgasmo fortíssimo, juntamente com Jerad. Tremeram muito, quase convulsivamente, e se soltaram enfim. "Você é perfeita!" A mandrágora, sem calor corpóreo, apenas tinha em si o suor vindo de Jerad.
Após alguns minutos, ele percebeu o cadáver de sua última vítima. Então levantou-se, apressado. Segurou sua criatura pelas mãos, e a ergueu também. A planta seguia em tudo seu mestre, fazendo os preparativos para a partida. Apenas queria estar ao lado do homem que tinha lhe criado.
-Vamos sair desta casa. Ela serviu aos nossos propósitos. Hora de partir, minha querida. Mas antes, vamos queimar este lugar de morte e vida. Não podemos deixar rastros. - dizia isso enquanto encharcava o corpo de Vênus de gasolina.
A criatura não falava. Ainda não sabia se pronunciar, era guiada puramente por instintos. Quando viu seu mestre atear fogo à estufa, gritou e correu, assustada. Saíram minutos depois, abandonando a casa em que Jerad morou nos últimos meses, coletando vítimas para criar sua mandrágora. Não olharam para trás.
Os bombeiros enfim chegaram ao incêndio e entraram depressa, pois todos que estavam nas redondezas ouviram gritos dentro da casa - gritos tão terríveis que mataram misteriosamente todos os cães das redondezas! Mas, para a surpresa geral, não encontraram sobreviventes. Apenas o corpo queimado de Vênus, que alguns pensaram ser a origem dos gritos. Mas como, se parecia já estar morta antes do incêndio começar?
Apenas numa parte isolada da estufa, encontraram as "coisas", como tentou relatar um dos bombeiros: "Parecia um jardim, com árvores esquisitas no meio".
-Esquisitas como?
-O cara devia ser muito bom nisso. Os troncos das árvores pareciam, ou eram, corpos femininos. Mulheres plantadas no meio de um jardim grotesco. Acho que eram três...
-E como elas estão agora?
-Totalmente queimadas. Além disso, foram todas borrifadas com herbicida, desfolhante, algo químico, sei lá... E tem gente quase jurando que foram elas que gritaram!
-E os cachorros da vizinhança...?
-Que coisa de louco, né? Morreram todos ao mesmo tempo. Será que ouviram algo que nós não...?
Enquanto os bombeiros discutiam, Jerad e sua "árvore esquisita" estavam do outro lado da cidade, no carro dele, em alta velocidade. Iam para muito longe, e tudo seria perfeito.
A mandrágora olhava para o vazio, quando enfim conseguiu murmurar sua primeira palavra:
-Acorde.
E na estufa incendiada uma única das criaturas abriu os olhos, negros como a noite, mas que pareciam brilhar com diabólica inteligência...
Esse conto "Mandrágora" remete à lenda de Pigmalião, que esculpiu a mulher perfeita em marfim, tão perfeita que se apaixonou e pediu à deusa Vênus que a transformasse numa mulher de carne e osso. A deusa atendeu o pedido, e a estátua tornou-se sua esposa Galatéia. Essa foi minha inspiração.
Foi publicado originalmente em 16.03.02, com algumas correções menores em 15.08.04. Esse conto tem uma continuação chamada Raízes de sangue.
"Onde o mal é palpável, a luxúria é a ordem vigente, e todos os nossos terrores e desejos noturnos são reais."
© Dies Mercurii XXXI Maius MM 2000-2011/2012